Domingo, Junho 14, 2009


"Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo. (...) Minha vida será como cheia de sol. Conhecerei o barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E amarei o barulho do vento no trigo (...) A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer bem coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me! (...) É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto (...) Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde às três eu começarei a ser feliz। Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! (...) É preciso ritos. (...) É o que faz com um dia seja diferente dos outros dias; uma hora das outras horas."

O pequeno príncipe.

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